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Então é natal, e o que você fez?



Vai chegando essa época do ano, aquelas propagandas que nos fazem chorar, as músicas de fim ano, as jantas em família e se torna quase impossível não ficar sentimental. Parece que tudo se torna mais intenso, o que não é estranho para uma época tão mágica. As ruas, as praças e os jardins colorem a cidade. E dentro de cada casa, as luzes das árvores de natal piscam com a mesma frequência que nossos corações batem enquanto aguardam a magia acontecer. Vai chegando cada vez mais perto do fim do ano e você começa a escutar em cada loja que entra aquela famosa canção:  "então é natal, e o que você fez?"

E pronto, aquela música entrou na sua cabeça e sua mente instantaneamente a transforma na pior coisa que poderia: sua retrospectiva do ano. Então você precisa parar tudo o que está fazendo e deixar sua mente falar. O que foi mesmo que você fez o ano todo? Você foi atrás dos seus sonhos, ou se acomodou como havia prometido não fazer na virada do ano passado? O que você conquistou? Quem você é? O que você fez pela sua felicidade?

É, chegou a temida hora de fazer o seu próprio balanço. Chegou a temida depressão de fim de ano que todo mundo passa em algum momento de dezembro. Pelo menos a gente sabe o fim dessa história: você vê que não correu atrás da sua felicidade. Não pediu demissão do trabalho que você tanto odeia, não terminou com aquele seu lancinho que mais te puxa pra baixo do que qualquer outra coisa, não visitou mais seus pais e nem apostou em si mesmo, afinal, não se deu nem ao menos a chance de tentar investir naquele seu sonho de criança. Mas tudo bem, porque agora essas são as metas para o novo ano que já vai começar. Ah, esse ano você toma jeito, esse ano as coisas se ajeitam.

Mas a gente sabe que essas foram exatamente as mesmas promessas do ano passado, não foram? Você lembra, eu sei que lembra, que você passou pelo mesmo balanço pessoal doze meses atrás. Você fez exatamente o que pretende fazer esse ano. Contou para toda a família seus planos entusiastas para o futuro. Passou a virada do ano com uma roupa vermelha esperando o amor no próximo ano. Planejou todas as mudanças que quer na sua vida durante aqueles dias de férias da empresa. E esqueceu tudo isso em poucas semanas, afinal, eram coisas demais para mudar. Ninguém pode mudar assim do dia pra noite, você disse para si mesmo tentando justificar-se. E agora, passados doze meses, você está aqui, pensando em repetir tudo de novo, afinal, dessa vez é pra valer, ah, dessa vez você está decidido a mudar.

Meu amigo, venha cá, permita-me dar-lhe um conselho. Talvez você o esqueça junto com suas resoluções de fim de ano quando acabarem as suas férias, mas quem sabe ele o ajude a não esquecê-las. Nunca se sabe. O meu conselho para você é que, bem, não faça tantos planos. Eu sei, sua vida está longe do rumo que você queria. Eu sei que a vontade de agora é chutar o balde e mudar tudo. E acredite em mim, eu ficaria tão feliz quanto você se essa vontade não morresse junto com suas férias. Porém, tente não correr esse risco, pelo menos me escute. Vá devagar, é melhor um passo curto na direção que você almeja, do que um passo largo na direção contrária. Nem tudo é distância percorrida, mas também a direção escolhida. Escolha uma de suas resoluções, a mais fácil. Quem sabe ela seja até a menos importante, só que o importante é que você vai ver que depois da primeira conquista as outras ficam muito mais acessíveis. Escolha uma e cumpra. Se esforce nela. E você verá que no próximo ano essa crise existencial não acontecerá. E se acontecer, pelo menos ela não será tão cruel.


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