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Eu não percebia, mas estava vivendo uma utopia.



Eu não sabia como aquilo iria terminar. Eu não fazia ideia se os riscos de me machucar eram grandes. Podiam até ser, mas a verdade é que sempre que ele me fitava, mesmo que meio sem querer no meio da multidão, com aqueles seus olhos castanhos amendoados, que pareciam brilhar mais do qualquer uma das estrelas que eu vejo todas as noites, os riscos não faziam diferença alguma. Eu só queria estar cada vez mais perto. Eu só queria fazer parte da sua vida.

Eu passava as noites acordada, revirando-me na cama, planejando e desvendando cada possibilidade de encontrá-lo no dia seguinte. Sonhava acordada com os infinitos desfechos que aquela história, que ainda nem existia fora da minha imaginação, poderia ter. Eu ansiava pelo dia em que nossas mãos – e corpos – se encontrariam em um encaixe perfeito.

Criei centenas de cenários e diálogos dignos de um filme de romance imaginando o momento em que ele finalmente notaria o meu sentimento, e, com muita sorte minha, veria que sente o mesmo. Imaginei combinações de roupas e até a cor do esmalte que minhas unhas exibiriam. Escrevi poesias e alguns rascunhos de canções inspiradas no amor que poderíamos viver, em histórias e memórias que poderíamos vir a ter.


Eu não percebia, mas estava vivendo uma utopia. Eu desejava tanto tê-lo perto de mim, que acabei, vagarosamente, me perdendo. Perdendo o sentido. Perdendo o juízo. Criei um mundo inteiro onde poderíamos viver e esqueci de perguntar ao meu bom senso se aquilo era mesmo possível. E mesmo sem a resposta, eu me isolei nele. Eu não sabia como ia terminar e com isso me feri. Cometi o grande erro de dentre tantos olhares, escolher justamente o que não me via. 


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