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Uma vida falha, uma alma livre.


Minha garganta está seca. Meus pés não tocam o chão. Estou presa em um abismo que eu mesma criei. O coração dispara, é como olhar para si, de fora. Observo os passos. Aponto os erros. Sou falha. É complicado, eu sei.

Somos destinados e codificados a acreditar no “felizes para sempre”. Confesso que perdi as contas de quantos livros li e quanto filmes assisti. Mas posso apostar que você aí, ficou tão maravilhada quanto eu com a vida em NY, certo?

O problema é que não está nos livros que o príncipe não vem, que “bruxa” má existe sim e sempre parece ser alguém leal, e claro, como em um filme, não vou terminar a noite com uma taça de vinho a beira de uma janela quando estiver triste.

A vida espera mais de nós mesmos, somos mais que um capítulo ou cena de filme. A vida não vai esperar o sol baixar e nossa cabeça bater no travesseiro para o mundo desabar. O mundo desaba enquanto estamos vivos, aqui e agora. Não há play, pause ou controle que pule cenas. No final do dia, só nos resta crescer.

Por uma via ou por outra, a gente cresce. Algumas crenças são destruídas pelo caminho, outras tornam-se princípios. Somos uma série de acontecimentos, as vezes isolados outrora não. Somos carne e osso, mas muito mais que isso, somos alma. Alma que brinca, mas nem sempre é boa em jogar. E adulto tem disso, né? Joga pra cá, joga para lá. E nesse jogo, nem todo mundo gosta de ficar. E as portas na cara aparecem, assim como os gritos, a culpa, os olhos marejados, a insônia e os “porquês”.

Continuo caindo e não há nada que possa me fazer parar, porque no fim, é normal se perder. O difícil é manter-se na linha. Ser adulto cansa, ainda mais quem tem uma alma que grita e dança feito louca por aí. Quem foi criado para crer, não aprende a esquecer. Não aprende a lidar com padrões, nem meios e metades. É sempre sim ou não. Vai ou fica. Quer ou não quer. É praticamente, um defeito de fábrica.

Fui criada com alma livre e cheguei em uma idade que já não dá mais para consertar. E não quero concerto. A gente abre mão de uma série de coisas para crescer, só não podemos abrir mão de quem queríamos ser quando assistíamos aos velhos filmes. Mesmo que doa, a nossa alma não pode deixar-se morrer.

E eu vou continuar caindo, as vezes é um abismo sem fim escolher viver as próprias falhas.


4 comentários:

  1. Adorei seu texto. Realmente a vida não é mais uma história da Disney, temos que crescer diariamente e ir em busca do que acreditamos e queremos, mesmo sendo algo muito difícil, mas devemos acreditar a cima de tudo.

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    1. Obrigada Mariana! A vida é uma busca contínua, para quem sabe aproveitar, sempre há um belo caminho. Muita luz na tua jornanda! ♡

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  2. Realmente o texto é ótimo, e acredito que muitas pessoas que lerem terão a mesma impressão que eu (foi escrito pra mim). Eu sou bem metódica e me cobro muito, busco sempre dar o meu melhor mesmo e isso as vezes me esgota levando a exaustão, preciso de um pouco mai de liberdade para ouvir meu coração!

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    1. São estas palavras que são gostosas de ler, saber que você se sentiu parte do texto e isso te tocou. Que tu possa mudar, refazer-se e ser feliz plenamente. Boa sorte! ♥

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