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Sobre amar a sua própria companhia


Uns tempos atrás eu decidi fazer algo completamente fora do meu usual. Enquanto andava pelo shopping à procura de uma roupa nova, decidi dar uma passada até o andar do cinema e conferir os filmes que estavam em cartaz. Vários casais abraçados faziam fila para comprar seus ingressos. Várias amigas riam alto enquanto esperavam suas pipocas.

 Dentre vários filmes que eu não pagaria o preço do ingresso para assistir, encontrei um que chamou a minha atenção. Era a continuação de um filme que eu já havia assistido e gostado muito, o que despertou uma súbita vontade de assistir naquele exato momento. A próxima sessão iniciava em cerca de trinta minutos.

Não daria tempo de chamar alguém para assistir comigo, pensei. E quando isso não fez a menor diferença, percebi que na realidade eu nem queria alguém para me fazer companhia durante aquela sessão. Eu escolheria a pipoca, o banco, a hora de entrar e a hora de sair sem me preocupar com nenhuma opinião além da minha. Poderia ceder à minha louca mania de assistir aos créditos do filme sem nenhum julgamento.

Comprei meu ingresso e fui escolher a pipoca. Fiquei um pouco receosa de virar alvo de piadas do grupo de amigos que ali se encontrava, com medo que eles notassem que eu estava sozinha e achassem que ninguém quis me acompanhar. Mas foi apenas o medo de fazer algo fora do comum, porque em momento algum alguém reparou de uma forma diferente em mim.

A sensação durante todo o filme foi muito diferente de qualquer outra vez em que estive naquela fria sala de cinema. Mesmo sem nenhuma companhia, me senti acolhida. Mesmo estando sozinha, eu me senti completa.

Eu precisei de uma ida sozinha ao cinema para perceber que eu amo a minha própria companhia. Foi um ímpeto de loucura do dia que me fez perceber algo tão importante.

Depois da experiência do cinema, eu me abri para várias outras. Algumas que até então eu mesma considerava um dos meus grandes tabus. Comecei com passos curtos: conhecer novos cafés, escolher algumas receitas um pouco mais elaboradas e cozinha-las exclusivamente para mim, fazer passeios curtos como ir a um parque sozinha e aproveitar o dia, até os passos largos de ir para bares e festas onde dispunha somente de minha própria companhia.

Foi um exercício e tanto de amor próprio e percebi cada vez mais forte que eu sou completamente apaixonada pela minha companhia. Cada nova aventura, podemos assim dizer, era uma caixinha de surpresas que no fim do dia garantia que meu nível de felicidade ficasse completo. Cada nova experiência trazia um novo aprendizado que destruía aos poucos todas as minhas inseguranças. Foi com uma súbita vontade de ir ao cinema que eu aprendi a me amar por inteiro.

14 comentários:

  1. Que texto lindo!!! Super bem escrito com as palavras exatas. Fiquei encantada e super me identifiquei, sempre gostei de ir a tudo sozinha, mas de ver as pessoas sempre acompanhadas parecia que só eu vivia sozinha sabe? Porém, aos poucos vamos nos acostumando com poucos amigos, poucas companhias e achando suficiente andar sozinha. Amei mesmo!! Beijão ♥

    http://www.sorrisosnooutono.com.br/

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    1. Quando eu comecei a fazer as coisas sozinha batia muito esse pensamento, mas o amor próprio sempre acima de tudo ♥

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  2. Karoline, estou prestes a fazer o mesmo! A sala de cinema, aliás, é o lugar perfeito pra alguém descobrir como é bom estar consigo mesmo: é escura, confortável, cheia de sons e efeitos e durante a sessão ninguém sabe ou se importa com quem vc é. É a coisa mais incrível do nosso tempo hahaha
    Um beijo!

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  3. Oiti Karol! To ha tempos pra vir aqui te dar um oi e te parabenizar pelo blog. Então PARABENS. Você escreve muito bem. Sou apaixonada por textos. E seu blog me passou carinho. Continua, com certeza vou te acompanhar. Beijos

    http://www.verdadeescrita.com/pra-voce-que-se-sente-perdido/

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  4. Que texto lindo. Me identifiquei, sabe? Também amo a minha própria companhia, amo ficar sozinho em casa, amo assistir minhas séries sem ninguém do lado. Ainda sim, amo passar um tempo com meus amigos, mas ficar sozinho é sempre bom pra organizar as ideias.
    www.itsbry.com.br

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  5. Eu sempre me considerei uma pessoa solitária. Eu gosto de ficar sozinha, mas eu não me SINTO sozinha. Assim como está no título do texto, eu gosto da minha companhia :) ficar perto de muitas pessoas é esquisito pra mim, mas ficar sozinha, ouvir meus pensamentos, fazer coisas sozinhas é ótimo. Ah, e eu quase sempre vou ao cinema sem ninguém ❤️

    Adorei o texto, chuchu. Beijos :*

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  6. Não é de hoje que aprecio a minha própria companhia.
    Acho que devemos inclusive, porque faz parte de nos amar também, sabe?
    O mês passado mesmo fui ao cinema sozinha.
    Eu amo sair com meu namorado, com meus amigos, mas também gosto muito de sair comigo mesma!

    Parabéns pelo texto!

    bjO

    Dany
    Breshopping da Dany
    www.brechodanylins.com.br

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  7. maravilhoso!
    é bem isso, quando gostamos da nossa própria companhia não precisamos de ninguém. Pois nós mesmos somos completos, não precisamos de metades ♥

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  8. Que texto lindo, eu também amo minha própria companhia, aprendi a amar porque passo maior parte do tempo sozinha... Nós mesmos somos completos, não precisamos de alguém o tempo todo rsrs
    Adorei teu post! Bjuus!

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  9. Que texto mais perfeito! Depois de muitas vezes as minhas amigas não quererem me acompanhar em programas que só eu gostava eu também comecei a fazer algumas coisas sozinha... e é libertador, não é mesmo? Eu gosto muito também!
    Super me identifiquei com o texto!
    Beijos

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  10. Já estive com várias pessoas ao redor e me senti a pessoa mais solitária do mundo. E não foram poucas vezes não, sempre foi assim! E isso sempre me angustiou. Tenho pensado muito em fazer as coisas por mim mesma sabe, mas pra me fazer bem, porque já saí pro shopping sozinha, comprar coisas pra mim, mas na verdade eu usei aquilo pra preencher um vazio e não foi tão legal. Hoje estou melhor comigo mesmo e tudo o que eu quero é cuidar de mim. Eu iria iniciar a academia com amigos, ninguém quis, eu fui. Ia pro cinema com um cara, ele não foi, eu curti sozinha. Quando a gente se descobre não tem coisa melhor do que se curtir. Amanhã mesmo eu iria à praia com umas amigas mas elas não vão, mas eu queria muito ir sozinha, quantas vezes eu quisesse. Só não faço porque moro só -q.
    Beijos

    Juhlihipy

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  11. Lembro da primeira vez que fui em um café sozinha, estava passando por perto e bateu a vontade de ir, e ainda tinha um livro na bolsa, então aproveitei bastante e percebi que nem todo programa precisa de companhia. Depois disso comecei a ir em vários lugares sozinha, principalmente em eventos da minha área, que raramente conhecia alguém que ia e no início perdi de ir em vários por medo de ficar "deslocada". E comecei a aceitar também que quanto mais a gente envelhece, menos amigos temos, e nem é por falta de opção, é porque nos tornamos mais exigentes mesmo, então saber aproveitar a própria companhia é ótimo pra não acabar presa a gente que as vezes tu nem gosta tanto assim.

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  12. Amei o texto! Comigo também foi assim: precisei viajar sozinha para ver que a minha companhia é a melhor e a única que realmente preciso. Um beijo!

    www.nathaliaorige.com

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  13. Demaaaais!!!
    Nunca tive coragem de ir ao cinema sozinha, mas não por medo do que pensariam ou se me olhariam diferente... mas por achar que era meio sem sentido, sei lá! Mas sempre tive uma vontade meio "secreta" de fazer isso, embora eu adore sair do cinema fazendo comentários sobre o filme... hahaha
    Acho que vou me arriscar também.
    O primeiro passo para a felicidade é amar sua própria companhia.
    Arrasou!

    Um beijo.

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