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Carta de desistência



Isso não é uma carta de amor. Pode soar clichê e um tanto piegas, mas cá entre nós, eu sei que nessa loucura toda que aconteceu, eu não fui todo o problema. E eu sei, você vai dramatizar daquele jeito que sempre faz e dizer que eu quero me abster da culpa, que estou jogando ela no seu colo como se você fosse o único responsável.

Muito provavelmente você nem tenha notado o que de verdade aconteceu, já que está sempre tão fechado em seus próprios julgamentos. Nesse tempo todo você nunca me entendeu. A culpa não foi nem minha, nem sua. Nem foi tempo errado, nem foi culpa dos astros. Aconteceu e isso basta. É a ordem natural das coisas, elas começam e elas acabam também. Assim, exatamente assim. Sem enfeitar ou fantasiar.

Se machucou? Ah, machucou sim senhor. E como. Não o fim. Essa coisa de dramatizar os fins nunca foi pra mim, você bem sabe. Mas o durante, o meio, o desenvolvimento da história toda, ah, esse doeu. 

Dizem que o começo é o gostoso do amor. Talvez eu devesse ter dado mais ouvidos à isso. Mas não dei, você bem sabe como sou. Do avesso. E eu fui. Mergulhei sem proteção, sem muros ou barreiras. E dei de cara nas suas altas muralhas. Sentei do lado de fora e esperei que elas baixassem para então entrar. Mas elas não baixaram. Independente do meu esforço, suas proteções não cederam. 

O começo foi gostoso, sim. Não do jeito que dizem por aí, mas acho que cada casal tem sua própria fórmula, suas próprias regras. Era divertido esperar as pequenas brechas, no meio da noite, no fim do filme, depois de um porre, para tentar entender um pouco mais do que se passava aí por dentro. 

Só que entre a diversão e o desgaste tinha uma linha tênue, a qual eu não soube respeitar. Atravessei na inocência de achar que chegaria mais perto. Não cheguei. Cansei. 

Resisti por um tempo, insisti mais do que gostaria de admitir. Fiquei ali, o tempo todo do lado de fora, traçando planos mirabolantes para tentar entrar. Uma penetra no seu coração.

Não questiono seus motivos, cada um sabe a dor que carrega no peito. Cada um sabe o tempo que precisa pra cicatrizar. Eu entendo. É como dizem por aí, as vezes é preciso fechar o coração pra mudar a decoração. 

Mas, meu bem, eu cansei. E ninguém tem culpa nisso. É como eu disse, essa não é uma carta de amor.


2 comentários:

  1. Que lindo *.* Desistir não é feio, feio é insistir em algo destrutivo, não é?! Inspirador, beijos
    www.charme-se.com

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