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O coração também sabe se curar



Eu coloquei os fones no volume mais alto que meu celular me permitia. Escolhi uma daquelas músicas tão agitadas e cheias de informação sonora que a gente simplesmente não consegue ter espaço pra pensar em mais nada enquanto escuta. Deitei na minha cama em meio as almofadas que quase me escondiam e peguei o computador pra escrever qualquer pensamento que resistisse a música.

Era apenas mais uma das minhas falhas tentativas em esquecer você, esquecer toda a história que construímos juntos. Não que eu realmente acreditasse que alguma dessas tentativas tivessem a menor chance de dar certo enquanto a parede do meu quarto ostentasse aquela dúzia de fotos felizes da gente juntinhos e sorrindo. 

Dizem que é preciso desapegar, mas esquecem de dizer pra gente como fazer isso. Esquecem de dizer que no caminho vai ter muito choro e muita recaída, esquecem de dizer que a dor não vai sumir só porque a gente decidiu que tá na hora de desapegar e superar aquilo tudo, que tá na hora de partir pra outra. Esquecem de dizer que não é tão fácil assim de se fazer.

Eu juro que eu tô fazendo o meu máximo, viu? Já exclui o histórico de conversas e já guardei bem escondido as cartas que você me deu, que é pra não ficar toda hora tentando reviver, mesmo que apenas em palavras, tudo aquilo que a gente passou juntos. Exclui seu número da minha agenda também e tirei você da minha lista de amigos. Não é que eu não queira mais ter contato ou saber sobre como você vai, mas essa proximidade toda por enquanto só faz machucar.

As fotos continuam na parede, eu sei. É só que ainda não deu coragem de tirar elas de lá. Eu tentei, juro. Mas lembrei da gente junto, colando cada uma delas e da promessa de que elas só iam aumentar. 

Mas acho que na real é assim que funciona essa coisa de desapego: um passinho por vez, no ritmo que a gente consegue dar. Eu sei que um dia desses eu vou acordar e estar pronta pra tirar todas as fotos que estão ali. Sei que uma hora eu vou sentar pra escrever aqui e não vou ter nada pra dizer porque o coração vai ter se curado, vai ter se calado. Eu sei que esse amor e toda essa angústia do fim uma hora vão passar. 

Só que essa hora ainda não chegou. Ainda não foi hoje e talvez também não seja amanhã. Mas uma hora vai ser. E até lá eu vou fazer o que melhor posso fazer: tentar desapegar, sem nunca me negar sentir. 

Porque enquanto a dor não passar, eu não posso bloquear e fingir que ela não está aqui. Faz parte do processo. Então eu vou sentir e tentar até finalmente desapegar sem precisar me forçar pra isso. Não dá pra esquecer que o coração também sabe se curar.


3 comentários:

  1. E, mais uma vez, me pego lendo que parece que foi eu mesma que escrevi. Passei por tudo isso e, realmente, ninguém conta que esse processo todo é difícil e nem que cada um tem seu próprio tempo pra superar, desapegar. Lembrar de tudo que aconteceu é doloroso, mas é mais ainda ter que falar. A gente só percebe que não dói mais, quando fala, tranquilamente, de tudo que aconteceu sem a voz mudar, sem embarganhar.

    Mais uma vez, preciso compartilhar um post teu. Impossível não querer mostrar para outras pessoas e fazer com que elas possam sentir o que eu sinto lendo essas lindas palavras.

    Beijos,
    Blog Gaby DahmerFanpageInstagramTwitter

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  2. Sou fã do seu trabalho, amo seus textos. Vejo uma verdade gigante em cada linha deles, posso perceber que você se joga na hora de escrever, e coloca todo o seu sentimento no papel. E isso é incrível, isso passa uma maturidade uma autonomia sem tamanho, só tenho que te parabenizar e dizer que amo amo seus textos. Beijo grande <3

    http://escolidivas.blogspot.com.br/

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  3. Olá, Karoline.
    Que texto lindo e cheio de verdades. A gente sempre acha que não vai passar, que a ferida ficará sangrando até uma hora o sangue acabar, mas um dia a gente acorda e percebe que no lugar de toda aquela dor ficou apenas um sinal, uma cicatriz para nos lembrar que o coração também sabe se curar.
    Beijo

    Te Conto Poesia ♥

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