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Sobre as cartas que eu nunca lhe entreguei

Sobre as cartas que eu nunca lhe entreguei


Eu já perdi a conta de quantas cartas, emails e bilhetes eu lhe escrevi e logo em seguida apaguei, joguei fora ou rasguei. Quantas vezes eu lhe escrevi sem sequer ter a intenção de que você lesse tais coisas. 

É só que eu sempre gostei da sensação de colocar em palavras, mesmo que desconexas e um tanto rabiscadas, as coisas que eu sentia aqui dentro e não sabia nomear. Pra ser sincera, eu até sabia nomear. Só que eu nem sempre queria nomeá-las. Não queria admitir todo o significado que aquelas nomenclaturas traziam consigo. 

A gente não para bem pra pensar nessas coisas, mas cada palavra que a gente põe numa carta vem carregada de uma infinidade de significado. Uma infinidade de sentimentos. E nem sempre nós estamos prontos para assumir tudo aquilo que uma simples palavra pode significar e ainda deixar ali, por escrito, que assumimos.

Eu lhe escrevia em cada briga que a gente tinha. E em cada momento bom, lhe escrevia também. Em todas as vezes que eu me calei e não lhe falei nada, quando chegava a noite eu escrevia páginas e mais páginas ininterruptas colocando tudo que me angustiava para fora. 

Talvez eu devesse ter lhe entregado mais cartas. Eu sei que nunca deixei faltar demonstrações de amor, inclusive por escrito. Mas, talvez, e só talvez, eu devesse ter deixado você conhecer os meus medos. Talvez eu devesse ter deixado você conhecer os meus pensamentos mais loucos. Minhas angústias e todas as coisinhas mínimas do dia a dia que me faziam feliz. Talvez, eu devesse ter deixado você ler cada uma dessas cartas que eu rasguei e joguei fora. 

Talvez, não mudasse o nosso final. Talvez, não fizesse a menor diferença. Talvez, tivesse melhorado tudo. Talvez você encontrasse as peças que faltavam ali, em meio a tantas palavras desconexas. 

A gente nunca vai saber ao certo. Talvez naqueles pedaços de papéis rabiscados que foram para o lixo tivessem respostas que procuramos dentro do nosso relacionamento e jamais encontramos. Talvez tivessem respostas que eu ainda procuro em mim, inclusive. Talvez, em algum desses escritos, nosso fim já tivesse sido anunciado e precisava de você para ler e me mostrar. Talvez.

Karoline Krahl

7 comentários:

  1. Eu adoro o conteúdo que você produz no seu blog. Você escreve tão bem, suas palavras deslizam de forma tão suave e clara. Continue a escrever. ♡

    Um cheiro
    Raelogia

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  2. Gostei muito do texto. Quantas cartas a gente escreve e não manda, não é?
    Esse questionamento se deveria ter enviado ou não é o que, às vezes, mata.
    Mas é muito bom escrever o que sentimos, assim nos descobrimos.
    Parabéns pelo blog, cada vez crescendo mais! Beijos!! :D

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  3. Que texto lindo, tão cheio de sentimentos <3 já me apaixonei pelo blog logo que entrei, daí leio esse texto maravilhoso ? Continue escrevendo assim, vou adorar ler.

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  4. Eu amei o texto,seu conteúdo é ótimo e de uma qualidade imensa <3 Vou estar sempre por aqui pra te acompanhar,beijos !

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  5. Que texto Maravilhoso, me fez lembrar de quando eu era mais nova costumava resolver tudo com cartas, brigas familiares, amores, amizades. Para tudo era uma carta, algumas vezes eu acaba nem entregando deixava lá guardada, esse texto é ótimo muito muito bom

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  6. Sem palavras! Que texto incrível, profundo, sensível. AMEI, nunca pare de escrever!

    Me chama de Bella

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  7. Eu queria ter esse hábito de escrever mais, talvez a confusão que se passa aqui dentro ficava mais clara através de um papel. Talvez.
    Beijo!

    Sorriso Espontâneo

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