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Sobre o nós que um dia tivemos

Sobre o nós que um dia tivemos


Nós estávamos tão longe e ainda assim eu não conseguia tirar seus olhos cor de mel da cabeça. Não conseguia não sentir seu perfume impregnando o quarto todo, o que era uma loucura total, já que você nunca estivera realmente ali.

Fisicamente eu não estava com você, mas a vontade era tanta que eu quase podia lhe sentir ali. Eu quase podia sentir o seu toque em mim, mesmo que fizesse tanto tempo desde a última vez que de fato nos tocamos. Mesmo que fizesse tanto tempo desde a última vez que nos cruzamos.

Eu não tinha mais certeza de quanto tempo fazia. Tinha decidido parar de contar, era torturante olhar o calendário e poder mensurar em dias a falta que você me fazia.

Confesso, nos primeiros dias eu acreditei que tudo ia voltar ao normal. Eu repeti inúmeras vezes para mim mesmo que aquilo iria passar, que em alguns dias tudo ia estar de volta ao lugar e que nós estaríamos bem. Mantive esse pensamento por mais tempo do que gostaria de admitir aqui para você, mas, é, as coisas não fluíram como eu quis acreditar que iriam.

Hoje já se passaram meses e você não está, não voltou, nem sequer me deu algum sinal de que está bem, que superou. A saudade vai diminuindo aos poucos, apesar de vez ou outra dar o ar da graça, como agora, que mesmo sendo fisicamente impossível o seu perfume está por todo o canto desse quarto. 

Eu já não espero mais uma resposta, um cartão de desculpas ou sequer uma explicação de porque todas aquelas promessas foram desfeitas. Eu não procuro mais entender o que aconteceu. Você deve ter tido os seus motivos e eu sei que não os entenderia. 

Você sempre foi assim, afinal. Eu fui avisado e quis arriscar igual. Sua inconstância sempre esteve presente. Você ia e voltava sem explicações, sumia e reaparecia quando bem queria. Você não me dava certezas. E, seria hipocrisia minha dizer que não era isso que me encantava. Eu amava a sua confusão. Eu amava tentar desvendar você, o seu jeito, o que possivelmente você sentia aí dentro. 

Mas o final eu já deveria saber. Não seria diferente das histórias que você me contava. Eu não era diferente dos personagens que você narrava. 

E não se engane, também. Esse não é um pedido de explicações. Não é uma tentativa que você volte. Eu estou bem longe, apesar das crises de saudade que insistem em aparecer vez ou outra. Eu não quero mais que as coisas voltem ao que eram antes. Eu só não quero correr o risco de me esquecer dessa história. Ela foi linda a sua própria maneira. Então eu escrevo sobre ela. Sobre mim. Sobre você. E sobre o nós que um dia tivemos.

Karoline Krahl

Um comentário:

  1. Isso foi um soco na boca do estômago. Parece que todas emoções já esquecidas voltaram a tona e me vi lembrando de um passado distante mas que parece que foi ontem. Ainda consigo sentir todas as coisas boas que aconteceram naquela época, ainda lembro como era estar ao lado daquele certo alguém. E mesmo depois de anos, de muitas outras histórias que vieram depois, me vejo ainda cumprindo uma promessa que achei que já tinha sido quebrada por mim. A promessa de que sempre iria amá-lo.

    Beijos,
    Última postagemBlog Gaby DahmerFanpage

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