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Isso não é uma carta de despedida









Isso não é uma carta de despedida. Eu sei, talvez pareça. Eu tive que partir e a distância tende a distorcer um pouco as coisas. Mas, isso não é uma carta de despedida. Nem uma carta talvez isso seja. Apenas um lembrete de que ainda está tudo em aberto por aqui.

Nem faz tanto assim, nem faz sentido ainda pra mim, mas a saudade já bateu aqui. Saudade do teu sexo, do teu cheiro, do teu beijo. Saudade do aconchego do teu peito em cada noite fria. Saudade até do cafuné que eu nem gosto tanto assim. Das pernas entrelaçadas e da sensação de não saber o que esperar quando o dia raiar.

Saudade do seu cabelo desgrenhado dividindo espaço com o meu no travesseiro. Do seu olhar sob o meu corpo. Do sorriso de canto e dos suspiros no meio da noite que você nem fez questão de disfarçar. Saudade até do gosto amargo do cigarro na sua boca nos primeiros beijos.

E pode até ser engraçado, mas, no fundo, torço pra que essa saudade não passe. Mesmo sem saber o que pensar. Mesmo sem fazer sentido algum. Porque essa saudade não é daquelas que machuca. É daquelas que surgem vez ou outra quando deito a cabeça no travesseiro trazendo uma pontinha de sentimento bom, que eu ainda não aprendi a nomear, e me faz esboçar um pequeno sorriso antes de dormir. 

A vida tem mesmo dessas coisas. Essas pegadinhas prontas. Essas pequenas ironias. Nossas vidas se esbarraram de uma forma engraçada. Sem previsões. Sem roteiros. Sem saber o que poderia vir a ser. Sem tempo para perder pensando no que pensar, no que fazer. Só nos restou agradecer e acatar essa falta de controle ou caminhos mais fáceis a seguir. 

E talvez você até ache que seja uma pouquinho de masoquismo, mas eu gosto assim. Gosto de não saber nomear. Gosto de não compreender o que é. Gosto de não saber o que vai ser. Se vai ser. Gosto desse e se todo que essa ironia se tornou. É tão gostosa essa sensação de que algo existe mas não precisa tomar uma forma.

Deixo aqui apenas o meu desejo de que essa conexão não se perca por essas centenas de quilômetros que no momento nos separam. Que o fogo possa sim diminuir, mas que a chama se mantenha ali, viva, para que incendeie nossos corpos quando nos encontrarmos na minha cama mais uma vez. 

Enquanto isso não acontece, faço questão que você seja saudade e que as lembranças boas continuem habitando em mim. Que esse e se continue aberto e tão lindo como sempre, sem prazo de validade. Afinal, como eu disse, isso não é uma carta de despedida.



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