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Criamos um futuro infundado para evitar a dor



Tenho sentido sua falta mais que o normal. Não sei explicar o porquê, não consigo entender ao certo o que tem acontecido aqui em mim. Talvez seja aquele “quem sabe a gente se cruze de novo no futuro, quem sabe esse seja apenas um até logo” que falamos ao invés do adeus.

Sabe, essa coisa que a gente inventou de fingir que não era um final para não machucar na hora, essa coisa de tentar se proteger da dor. Funcionou na hora. Mas agora… Agora machuca tanto. Faz a saudade apertar demais aqui.

É como se eu tivesse vivendo um novo fim. Perceber que esse futuro onde nos encontraremos novamente, mais maduros e mais certos do que queremos não existe é tão doloroso quanto aquele último abraço. Tão doloroso quanto aquela última discussão. 

Nós criamos esperanças infundadas onde devíamos ter aprendido a lidar com o fim. Colocamos reticências onde deveríamos ter posto um ponto final. E isso machuca. Encarar que era mero fingimento essa história de que não tinha acabado aperta o peito. 

Você não está mais aqui e nem vamos nos trombar novamente em alguma outra esquina da vida. Nossa história já ficou pra trás há vários cruzamentos. Eu sei disso. No fundo, apesar de todas as promessas de um futuro melhor, eu sempre soube. Mas isso não significa que eu não tenha tentado acreditar noite após noite que seu corpo esquentaria o meu outra vez. Isso não significa que, encarar agora que essas promessas jamais vão se cumprir, doa menos. 

Tenho sentido sua falta. E do futuro infundado que criamos pra evitar a dor. 


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