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Você era ilusão

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Você era uma doce ilusão. Desejo das noites de frio para preencher o vazio, que nós mesmos criávamos. Em mim e em você. Desejo incontrolável de sentir algo, qualquer coisa, mesmo que por poucos minutos.

Eu sou vulnerável. Sou dependente. Sou medrosa. Sou solitária.

Tenho medo de ficar sozinha, tenho medo de que nunca mais vá sentir algo, tenho medo de que o mundo se dissolva aos meus pés nas noites frias em que minha cama parece um buraco negro pronto pra me puxar pra outra dimensão quando tudo o que eu consigo sentir aqui dentro é solidão.

E você, eu gostaria de dizer que você é um canalha, por se aproveitar disso quando o seu medo também se tornava insuportável. Mas seria hipocrisia minha. Nós dois nos iludíamos. Iludíamos a nós mesmos e um ao outro. Nós dois nos apoiávamos juntos na esperança de que parássemos de afundar, na esperança de que o mundo desacelerasse porque alguém nos enxergou.

Mas você não me enxergava. E eu não enxergava você. Éramos dois solitários dividindo espaço e preenchendo vazios antigos com novos vazios. Éramos dois canalhas aproveitadores esperando sermos salvos. Dois egoístas buscando conforto sem nada para oferecer em troca.

Você era a minha tentativa desesperada de me aquecer, minha tentativa desesperada de sentir qualquer coisa. E eu era a sua. Dois medrosos que não mergulhavam nem deixavam mergulhar. Dois solitários andando juntos na tentativa de não se sentirem mais tão só.

Você era ilusão, nada além disso. Nada mais que um calor temporário quando a realidade e a solidão congelavam tudo aqui dentro. Você era o refúgio que ao fim da noite se tornava armadilha.

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Você era ilusão

Um comentário:

  1. Uma topada de pé com o dedinho indo direto em direção à quina do armário teria doído menos...

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