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Amor nunca foi sobre tempo

amor nunca foi sobre tempo


Certa vez, conheci um cara. Mas não qualquer cara, e sim um que fazia meu estômago dar cambalhotas toda vez que dizia que estava indo me ver. Eu não sabia que seria amor, mas sabia que seria algo. Porque eu sei, é bobo, mas eu acredito que a gente sente já no primeiro contato quando alguém vai ser especial. E eu senti. Meu estômago sentiu. 

Nos conhecemos no verão. Férias, sol, diversão. Ele estava lá, sentado na mesa mais ao canto do bar, um maço de cigarros e um esqueiro empilhados em cima da carteira, uma camisa florida com os botões meio abertos, o copo na mão quase derrubando a cerveja pelos gestos empolgados da conversa e aquele sorriso nos olhos. É, ele é um daqueles caras que sorriem com os olhos antes mesmo de os lábios se abrirem. 

Ele não me notou, lá no meio daquele tanto de gente alegre que ocupavam todas as mesas do bar. Mas eu não conseguia tirar os olhos dele. Não conseguia parar de reparar como jogava o cabelo pro lado com a mão e como ria alto sem prestar a menor atenção em tudo que estava ao seu redor. E talvez fosse o álcool ou o calor alterando minha noção, mas eu senti, naquela mesa de bar eu senti, que precisava conversar com ele. 

Vesti a minha melhor cara de pau e fui lá, conversar com quem tinha roubado todo o foco do lugar. Ele estava acompanhado de outros três amigos, o que, num estado de plena consciência minha, teria sido suficiente pra fazer com que eu desistisse da ideia. Mas aqueles olhos sorrindo... eram como o canto de uma sereia. E talvez eu me afogasse tal qual os marinheiros, mas eu já estava hipnotizada demais pra voltar atrás. 

Conversamos por uma ou duas horas, a conversa fluindo tão bem quanto os copos de cerveja secando. Ele me contou o que fazia, o que queria fazer, o que já tinha desistido de fazer o que nem sabia que queria até aquele momento. Eu contei sobre meus sonhos frustrados e sobre as pequenas coisas que vez ou outra davam certo também. Falamos sobre livros, sobre carreira, sobre programas idiotas de televisão, que sem o menor medo confessamos gostar, sobre música, sobre gastronomia, arquitetura, astrologia, astronomia. Falamos sobre três vidas inteiras naqueles poucos minutos.

E mais uma vez, o meu estômago soube. As borboletas fazendo algazarra sem parar lá dentro. Talvez fosse um pouco da cerveja também, mas prefiro acreditar nas borboletas. 

Nos vimos todos os dias a partir daquele momento, por exatos vinte e dois dias. Meu amor de verão. Dividimos a vida durante cada um daqueles dias que nos foi possível. Até um anel ele me deu. Tudo bem, era um daqueles anéis de coquinho de praia, mas o que importa são as juras de amor e olhares sinceros que foram trocados junto com o anel. 

Minhas amigas me chamavam de louca. Onde é que já se viu se apaixonar assim nas férias, sem o menor senso, sem qualquer tipo de freio, por alguém que em questão de dias eu não veria mais? Por alguém que em questão de dias voltaria pra sua vida, assim como eu voltaria pra minha, e esqueceria toda aquela história? Oras, esquecer toda essa história. Acho que elas ainda não sabiam, mas amor não é sobre tempo. 

Dividi sonhos, medos, anseios e sentimentos maravilhosos. Conheci o mundo de outra pessoa que fez questão de conhecer o meu também. A vida tem dessas coisas loucas, de trazer pra nossa vida pequenos momentos bons, que nem sempre precisam permanecer. Eu o amei. Intensamente. E fui amada intensamente em troca, também. As férias acabaram, a vida chamou pra realidade. E fomos. Cada um pra sua. Mas com o coração preenchido com algo bonito. Com uma história que valeu a pena ser vivida, com as lembranças mais bonitas: as do amor. 

Porque amor não é sobre tempo. Não é sobre quanto alguém permanece, nem sobre quanto leva pra querer permanecer. Amor é sobre dividir e somar, ao mesmo tempo, com alguém. Sobre viver momentos que você vai saber, mesmo daqui há 10 anos, que valeram a pena. Amor nunca foi sobre tempo. E ele, apesar dessa coisa de pouco tempo,  foi meu amor. 


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