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Confortos de terça-feira à noite



Me chame de canalha, me chame de babaca. Me chame quando quiser, você tem meu número. O gosto da ilusão é como provar dos sonhos que nunca se realizarão. Ambos culpados por querer um pedaço daquilo que não é, não foi, nem seria, e, no final, que diferença fez?

Nunca prometemos nada ao outro além de uma noite, nunca desapontamos um ao outro. Quando você quis, lá estava eu em frente a sua porta, quando eu quis, você abriu ela para mim.

Não precisávamos saber os medos e angústias do outro, você iria apenas me abraçar a noite inteira se eu precisasse, e eu te aqueceria se você sentisse frio. Sem perguntas indesejadas ou respostas dolorosas.

Talvez eu fosse só o seu remendo de final de noite, que nunca encaixaria perfeitamente. Talvez você fosse o meu. A única certeza é que serviu, afinal você me ligou no outro dia, enquanto eu esperava o telefone tocar.

O que fez de nós nada, foi o medo de pular, o medo de cair, o medo de que os braços que nos seguravam naquele instante, se soltassem no primeiro momento que fossem indispensáveis. Então nunca deixamos que fosse além de confortos de terça-feira à noite. 

Esquecemos de colocar alguns termos em pequenas letras no final desse contrato egóico, aquelas que ninguém se dá o trabalho de ler, mas que contém as formas de quebrá-lo. Nos preocupamos apenas com as cláusulas de uso irrestrito, esquecendo que os dois lados sentiriam o preenchimento temporário do vazio. 

Podemos presumir o que não deixamos acontecer, culpar nossos medos. Podemos preencher o outro lado da cama com mais um corpo, como se fosse apenas porque hoje o clima estava frio, mas que mentira descarada pra si mesmo. 

Se o egoísmo fez de tudo isso o que foi, hoje você me tirou esta noite de sono, então, me deve uma.


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