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Ela na minha vida



Esses dias eu escovei os meus dentes com a escova que você deixou em casa na última vez que esteve aqui.

Acontece que eu acabei deixando a minha escova no estágio e era de manhã, o bafo estava forte e eu precisava escovar os dentes. Havia tanto tempo que ninguém usava aquela escova que a caixinha rosa que você comprou estava até empoeirada. Escovei os dentes e, enquanto o fazia, me lembrei de como você sempre escovava duas vezes “Uma pra limpar, outra pra dar um gostinho”. Eu sempre ria disso e nunca consegui entender direito – assim como não conseguia entender as outras mil manias particulares suas.

Hoje eu abri a geladeira e tomei um Chamyto – sim, Chamyto é bem melhor que Yakult. Me lembro que não tinha o hábito de comprar essas coisas, mas, uma vez, logo quando começamos a namorar, eu passei uns três finais de semana comprando, simplesmente por que fazia tempo que eu não tomava – se você me conhece, eu sou desses que quando tem vontade, faço até enjoar. Você tomou uma vez, duas, três vezes e me disse que adorava aquilo (eu sempre brincava contigo dizendo que era coisa de criança) e que gostava de vir em casa por que sempre tinha Chamyto para você tomar. Dito e feito, passei a comprar sempre que você vinha e, hoje, depois de 1 ano e 7 meses juntos e mais dois separados, ainda tenho o hábito de comprar.

As vezes olho para a minha vida e me assombro vendo o quanto você ainda é presente nas coisas que eu faço. Você me ensinou muito; me fez crescer em muita coisa e conseguiu me ensinar que a vida não precisa ser tão pesada assim – e isso é uma coisa muito louca! Eu vivia te dizendo que você me ensinou que a vida não precisava ser tão pesada assim e, de fato, você ensinou; mas em algum momento, por falta de cuidado ou pelo desamor que você sentia por mim, você tornou a minha vida mais pesada do que nunca. Eu sofri, eu chorei e batalhei por você como Aquiles batalhava pela vitória dos Gregos; mas nada que viesse de mim foi um dia suficiente para você.

O fato é que uma hora eu decidi ir embora e isso foi um choque tremendo para você. “Eu não achei que você fosse ter coragem de terminar” – Você me disse em meio a lágrimas. Talvez o teu erro, teu grande erro tenha sido esse: saber que eu te amava e crer que este amor duraria independente das pedradas que você me dava na testa todos os dias.

Eu fui, e hoje me sinto bem. Hoje me sinto realmente leve, tranquilo, calmo. Hoje vivo aqui, a espera de um amor novo –  mas um amor de verdade. Eu parti e voei; tentei me descobrir, procurei encontrar o pedaço de mim que se perdeu no fundo do poço que você me colocou; e enquanto eu parti, você ainda está aqui me seguindo de longe, procurando por notícias minhas a todo o custo, checando minhas redes sociais, perguntando de mim aos amigos em comum e eu só tenho uma coisa a dizer: me esquece, menina.

Me esquece; não por ódio ou mágoa, mas por que eu tentei me tornar presente pro resto da sua vida enquanto eu ainda estava com você, mas teu orgulho e falta de cultivo me empurrou pra longe. Terminei, não por que não amava, mas por que a dor era demais; e hoje, a dor é de menos, e o amor já ficou no passado.




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