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Hoje eu te vi com o seu novo namorado pela primeira vez.

Confesso que foi sem querer! Passeando pelos stories do instagram, acabei abrindo um de uma amiga em comum nossa que mora aí na tua cidade. Vocês estavam todos reunidos, ela passou a câmera por toda a sala e ali estava você: com o braço pousado sobre a coxa direita dele e de mãos dadas. Eu devo dizer que aquilo foi um choque para mim. Eu até sabia que vocês estavam juntos – sua mãe me contou – mas foi, de fato, a primeira vez que eu vi com meus olhos vocês, ali, sendo parceiros. Um turbilhão de memórias e um sentimento ímpar brotou rapidamente no meu coração e, depois de muito tempo, eu parei seriamente para pensar sobre você.

É incrível notar como as memórias vão sumindo conforme o tempo passa... Eu tentei lembrar de você, mas você sempre me aparecia numa figura pálida, borrada, como se não passasse de uma pessoa que um dia eu encontrei por aí. É claro que pude lembrar de muitos momentos... Das vezes que jogamos futebol no parque e eu – que, com certeza, não sou nenhum Neymar da vida –  tentava te ensinar a todo custo. Lembrei das tardes deitados na grama sem falar uma palavra, das vezes que você dormiu no meu peito deitada no sofá, da caixa de chocolate Sensação que sua mãe me comprou aquela vez, das festas juninas e de como sempre sobrava para mim a parte braçal (aliás, teus amigos são muito criadinhos a leite com pera! Não existe dificuldade em bater uma estaca na grama). Lembrei das tardes brincando com a criançada e das vezes que você cozinhou aquele frango que só você sabe fazer. Lembrei de muita coisa, de muitos momentos e de muitos eventos, mas não conseguia me lembrar de você.

Não me leve a mal, por favor. Eu lembro de tudo sobre você - tudo! Mas o som da sua risada já soa longe aos meus ouvidos... O brilho no teu olhar, já se apagou faz um tempinho e do teu sorriso, eu só tenho de lembrança as fotos que você posta. A imagem de você, hoje, já não é clara, é borrada, apagada, como que a meia luz. E eu volto a dizer: é incrível como as memórias vão desaparecendo aos poucos...
Você foi a última pessoa que eu deixei me ver completamente vulnerável. Você me viu com as armas todas no chão, o coração aberto e a guarda completamente baixa – e isso não é pouca coisa. Sei lá, se você estiver lendo isso – o que eu acho bem difícil – saiba que as crises de ansiedade passaram e eu nunca mais tive que tremer daquele jeito... Você foi importante para mim, menina. E talvez seja por isso que eu me senti tão mal ao te ver com seu namorado.

Me senti mal por ver em você a imagem de alguém que, um dia, já foi uma parte fundamental do meu dia; mas não era você ali. Eu escrevo, hoje, para alguém que não existe mais – e isso é muito louco. Sentada ali, eu não consegui enxergar a menina que um dia eu conheci, mas figura de alguém que parece ter ficado num passado tão distante que, hoje, já é um mero estranho – e isso também é muito louco.  Ver alguém que já viu seu coração nu, que já sentiu o gosto das tuas lágrimas e que já segurou suas mãos trêmulas nos momentos mais dolorosos, hoje, não passar de um estranho, de mais uma figura pálida na memória do coração.

Eu não vou mentir para você. Muitas vezes já pensei em te ligar e sempre que passo perto da sua casa, penso em te chamar. Mas ligar para quem? Chamar a quem? Eu já não te conheço mais.

Sabe... Eu sei que você não lê meus textos – nunca leu! Mas eu me pergunto, às vezes: e se você lesse? Saberia que eles falam de você? Confundiria a caneta de um poeta com a saudade de um apaixonado? Eu sei que você não me lê, mas se de alguma forma esse texto chegar até você, carrega consigo os meus melhores desejos.

 Até a próxima, doce estranha.





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