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À você que um dia me quebrou


Às vezes eu tenho a sensação de que durante toda a minha vida, eu fui um misto de pessoas que partiram e saudades que ficaram. Me lembro de sentir saudade desde a mais tenra idade: familiares que moravam longe, escolas trocadas, amigos perdidos e paixoniotes que não queriam dividir o lanche comigo.

Sempre saudoso, aprendi a conviver com a solidão...

Eu e ela temos nos dados bem ao longo da vida; mas, ultimamente, tenho me perguntado o que é que a vida fez comigo. Quantas pessoas já passaram e quantas já se foram? Quantos amores foram amados e quantos foram esquecidos? Quantas amizades foram amigas e quantas já nem sabemos por onde andam?

Sabe, eu nunca fui de ter um grupo de amigos e você fazia questão de jogar isso na minha cara. Não que eu não tenha amigos – muito pelo contrário, tenho alguns bons amigos pelos quais eu morreria. Mas, menina, a crueldade das tuas palavras, me fez duvidar até mesmo de quem eu era.

Me lembro e ouço sua voz dizendo com uma sonoridade apavorante: “Você não tem amigos por que você é chato. Ninguém gosta de você” e, isso, talvez tenha criado feridas tão profundas que não conseguiram se fechar até hoje. Pode parecer bobeira visto de fora, mas a verdade é que, essas e outras coisas que você me dizia, conseguiram me fazer duvidar até mesmo de quem eu sou – ou costumava ser...

Eu sempre vivi na solidão e a solidão sempre foi minha amiga – deve ser coisa de poeta viver na solidão; mas, menina, você conseguiu me quebrar. Você me quebrou de um jeito que eu jamais imaginaria ser quebrado e, hoje, eu já deixei de ser amigo da solidão. Não que ela tenha desaparecido – ela ainda está aqui – mas, agora eu já não sou mais tão amigo dela. Em alguns momentos, me pego assombrado por ela, triste, amargurado e sozinho. Grito e não vejo quem possa me atender; corro, e não chego a lugar algum. Patino pela via, fugindo de fantasmas de um passado que nunca se fez tão presente.

Talvez um dia eu consiga te perdoar, mas não hoje. Hoje eu ainda não consegui sair de vez do poço de lama que você me jogou. Hoje, as palavras que você um dia me disse reverberam no meu coração e, como criança ouvindo barulhos vindo do corredor, eu ainda me assusto, ainda me espanto, ainda procuro refúgio embaixo das cobertas imaginarias que eu criei para fugir dos monstros que você deixou quando saiu pela porta do meu coração.



2 comentários:

  1. u.u que texto <3

    http://dosedeestrela.blogspot.com

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  2. Que profundo, adorei! Me sinto dessa mesma forma as vezes.. Deve ser coisa de poeta mesmo hahah.

    https://olhardethifany.blogspot.com/

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