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Sobre amores de verão



É sábado a noite, o relógio na minha frente marca onze e meia. Eu normalmente estaria nesse momento abrindo minha segunda cerveja, em alguma balada qualquer, com mais maquiagem do que me sinto confortável e tentando impressionar pessoas que eu nem sei se valem a pena. Mas é sábado a noite e eu tô aqui, sentada frente ao meu computador, com a pasta de fotos daquela viagem de fim de ano aberta em outra guia, e palavras sobre amor e saudade que não param de aparecer na minha cabeça. 

Abri essas fotos hoje mais cedo porque queria trocar a minha foto de perfil. A auto estima sofreu uma pequena queda e eu lembrei das fotos em Balneário, do meu bronzeado e daquela aura que deixa a gente tão bonito quando tá de férias e relaxado. E então achei a foto naquele barzinho que você me levou. 

Você não está na foto, nem eu. Apenas nossos copos em primeiro plano e a decoração do lugar ao fundo. Eu não quis tirar foto com você, lembro bem. Devo ter inventado alguma desculpa esfarrapada de como meu cabelo estava ruim pelo sal da água do mar. Mas a verdade é que eu acreditava que se não tivéssemos uma foto nossa para lembrar daquele amor de verão, eu poderia esquecer. 

Amores de verão são lindos na teoria. Mas na prática, na hora de ir embora, na hora de aceitar que aquela pessoa que combina tanto com você, que gosta dos mesmos filmes bobos, que ri das suas piadas mesmo quando elas são ruim, que aquela pessoa que você aprendeu a amar vai seguir um caminho completamente diferente do seu, mesmo que ela também tenha aprendido a te amar, ah, essa parte é cruel. Não me envergonho de dizer que desejei te esquecer. Eu desejei. Fiz o que podia enquanto estivemos juntos para que quando o fatídico dia do fim das férias chegassem, não fosse difícil te deixar pra trás. 

Será que não ter uma foto nossa fez por você o que não fez por mim? Será que foi mais fácil pra você me esquecer do que tem sido para mim? Será que pra quem fica é mais fácil de lidar do que pra quem vai embora? Afinal, foi você quem me viu partir. Será que o sentimento é mais fácil de ser deixado de lado assim? 

Será que você ainda se lembra de cada detalhe, mesmo sem fotos ou registros, da mesma forma que eu me lembro? Era começo de dezembro, eu tinha acabado de chegar de viagem e estava a procura de uma imobiliária em Balneário Camboriú. Com a minha mania de deixar tudo pra última hora, acabei arriscando e não reservando nada antes pra passar as férias. Estava eu lá, andando com as malas na mão, toda desajeitada e você do outro lado da rua me olhando meio rindo, meio com pena querendo ajudar. Será que se eu soubesse que você seria tão importante eu teria caminhado mais rápido, passado a imobiliária e entrado só na próxima? Não sei. E não sabia na época, então entrei na primeira e você entrou logo atrás. Eu querendo alugar um apartamento em Balneário Camboriú. Você querendo comprar um apartamento em Balneário Camboriú. 

Sempre soube que BC era um lugar que ganhava nosso coração. Só não imaginava que isso poderia ter tantas interpretações. Mas convenhamos, isso já deveria ser dica suficiente para não nos envolvermos, não deveria? Eu estava de passagem, você estava para ficar. Um lembrete claro de que não daria certo. Um lembrete que não podemos chorar e dizer que não nos foi dado. 

Seu atendimento foi mais rápido que o meu. Mas por um motivo que nem você deve saber explicar, você ficou lá, me esperando, com a desculpa de que não poderia me deixar sair sozinha de novo com todas aquelas malas. Eu fiquei envergonhada, mas grata. Você me acompanhou até um ponto de táxi e na hora de me despedir e agradecer o favor, eu senti que era errado demais me despedir de você. 

Então te convidei pra dar uma volta pela noite, sabe, eu te devia pelo menos uma cerveja por me ajudar com as malas. Você não exitou em aceitar. E de noite pareceu ainda cedo demais para me despedir. Assim como pareceu todos os dias. Até a hora em que eu não tinha mais como dizer um "te vejo amanhã", pois amanhã eu estaria centenas de quilômetros longe de você. 

E então eu voltei, fiz minhas centenas de quilômetros de volta com aquele "até amanhã" que não pôde mais ser dito entalado na garganta. E fiz o possível para esquecer. Esquecer seu sorriso, a cor da sua pele ao seu, seu perfume e a textura do seu cabelo. Mas acontece que o possível ainda não foi suficiente. Tô aqui, com esse "até amanhã" na garganta de novo, agora escorrendo pelos meus dedos que teclam teclam teclam sem parar querendo falar de saudade, querendo falar de amor. E a foto do perfil? Não achei. Não vou ser tonta de colocar lá um lembrete diário de você. A foto bronzeada no perfil vai ter que esperar o próximo verão.

Será que te encontro no próximo verão?


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