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Quando eu quase senti saudades de você.


Ontem esbarrei com uma foto nossa nas lembranças Facebook. 

Era uma foto antiga... Eu estava mais magro, você com o cabelo mais cumprido e menos loiro. Eu usava aquela camisa verde musgo (ou seja lá qual cor for aquela) que você me deu de dia dos namorados e, você, usava aqueles scarpin vermelho que eu comprei pra você quando você passou no exame de carro (feito pela 6° vez, até que me deixou te ensinar a dirigir).

A foto não era só nossa. Na verdade, nós aparecemos bem no cantinho apenas. Eu estava de pé, com a mão no bolso, olhando pra alguma coisa e você, ao meu lado, e abraçada em um dos meus braços, mantinha um semblante serio – Seu sorriso sempre foi algo de outra dimensão, mas tinha algo de Mulher com M maiúsculo em seu semblante quando você ficava seria. Algo me dizia que aquela mulher, com aquela cara, poderia conquistar o mundo com um estalar de dedos.

Confesso que quase senti saudades. Aquele teu rosto me lembrou uma foto tua que um dia eu tirei enquanto você dormia – acho que você é a única pessoa que eu conheço que dorme com cara de bravinha. Lembrei de você e de como o som da sua voz se alterava quando você se armava contra a vida: a voz infantil, fininha e quase de criança, dava lugar a uma voz firme e articulada que me fazia invejar.

Confesso que, sim, quase senti saudades.

É estranho como eu não consigo mais pensar em você em puro bom tom. Sempre que eu lembro dos bons momentos e de como, muitas vezes, rimos até a barriga doer, as lembranças vêm sob a sombra de mazelas e cicatrizes que assombraram e, por vezes, ainda assombram meu coração. 

Você conseguiu me quebrar, é verdade... Mas só por um tempo.

Hoje eu vi uma foto nossa e, confesso, eu quase senti saudades. Quase, por que no momento em que lembrei de você, lembrei das seções de terapia, das lágrimas compartilhadas com o travesseiro e dos hematomas que demorar a deixar de doer.

Foi quase saudade...

Hoje eu já aprendi que aquilo nunca foi amor, menina. Amor e dor não combinam; carinho e porrada não cabem no mesmo lugar. Foi quase saudade, mas o coração, hoje, já é macaco velho... quando a vida vem com uma dessas, ele já logo pula fora: se for pra amar, que seja saudável para todo o corpo.




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