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“Você foi pra mim como estar se afogando e subir para respirar”


A sina, menina, é que você andava com uma passada larga e com um ar de que o mundo todo era seu – não importa quem o estivesse governando.

Lembro-me como se fosse hoje: você passou lotada por mim na faculdade, tropeçou no meu ombro, virou-se, disse um “desculpe-me” para ninguém especifico e seguiu o seu caminho.

Naquele momento eu soube que existia algo de selvagem em você: fosse o cabelo louro, todo esvoaçado, fosse a firmeza dos seus passos ou fosse as suas sobrancelhas nada convidativas, o seu simples passar exalava uma ferocidade reservada apenas às mulheres que são donas de si – mulheres como estas, amigos, nunca estão para brincadeira.

Hoje, após cinco meses que te vi passar pelo corredor da faculdade, a camisa jeans que você deixou em casa naquela tarde chuvosa, onde nossos olhares se confundiram, as palavras se embaralharam e os nossos lábios não encontraram o caminho um do outro, já perdeu o perfume.

A real é que eu não pegava naquela camisa já faziam uns dois meses, mas aquele bilhete – maldito bilheteque você deixou dentro do bolso do meu blazer só foi encontrado hoje com os dizeres: “Você foi pra mim como estar se afogando e subir para respirar”, me fez pegar aquela camisa outra vez.

Que droga, menina!

Tudo estava tão calmo... finalmente meus pés haviam encontrado solo firme e você, do outro lado do mundo, consegue, ainda, acabar com meu psicológico.

“Porquê?” eu me pergunto. Porquê fazer isso? Porquê partir e deixar resquícios, migalhas de quem você um dia foi pra mim? Quando você, menina, decidiu largar a sua vida no Brasil e cruzar o mundo rumo a Nova Zelândia, excluir todas as redes sociais, trocar o numero de telefone e simplesmente sumir da minha vista de uma hora para outra, eu não reclamei, não te procurei, te dei o benefício da escolha e pra que? Para agora, após dois meses de sua partida, você reaparecer num bilhete deixado no meu blazer?

Some menina, nunca mais apareça na minha vida, eu te odeio! Nunca mais volte para o Brasil, vive aí na tua Nova Zelândia, case, tenha 5 filhos e nunca mais volte a dar o ar da graça na minha vida. Eu te odeio e nunca mais quero te ver.

Mas se você estiver lendo isso, meu número ainda é o mesmo e meu CEP também... aparece lá em casa, vai... me manda uma mensagem, me encaminha um e-mail... sei lá. É que meu coração ainda é seu e tudo o que eu quero é quebrar esse silencio ensurdecedor e ouvir o tom da sua voz – ou pelo menos dos seus dedos.



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