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Quando deixamos de ser os mesmos



Não fizemos nada de diferente, nada fora da rotina, nada que já não tivéssemos feito antes. Não tinham flores ou velas ou balões ou declarações pendurados bregamente pelas paredes ou qualquer coisa fora do comum. Éramos os mesmos de sempre, no apartamento de sempre, deitados no lado de sempre da cama, falando sobre as besteiras de sempre. 

Só mais uma noite em que esquecíamos o mundo da porta pra fora e lá dentro eu não calava a boca falando empolgada de algo que provavelmente você nem entendia, mas me escutava com toda a atenção como se fosse o assunto mais importante do mundo. 

Igualzinho a todas as outras noites. 

Os mesmos, no mesmo cenário. 

Mas de um segundo pro outro, e não me pergunte porquê que eu não sei dizer, o mesmo já não era tão o mesmo assim. Ainda era você ali. E ainda era eu do seu ladinho empernadinha. Mas você, ali, me fitando da mesma forma de sempre fez as tais daquelas ditas borboletas no estômago se revirarem de uma forma que até aquele momento nunca tinham feito. Arrepiou o corpo todo, deu um revertério no estômago, um desconforto, um piripaque, sei lá eu. 

Só sei que você me olhou da mesma forma e meu corpo achou que aquela seria uma ótima hora pra liberar uma quantidade absurda de oxitocina e pronto, tudo mudou. Tá bem, não tudo. Mas mudou. O coração palpitou, a mão suou e na garganta ficou engasgado um "te amo" discutindo com a pouquinha consciência e sensatez que eu tinha implorando pra ser cuspido pra fora. 

Não cuspi. Imagina o susto que você ia tomar. Mas também não engoli. Ficou ali. Devo ter feito a maior cara de boba. Cara de apaixonada querendo fingir que não, mesmo sabendo que não existe a menor chance do tal fingir que não funcionar. 

Não falei que te amava. Deixei pra depois e te abracei quase querendo fundir meu corpo ao teu pra te sentir melhor. Nunca fui boa em biologia e não sei como é que esse tal hormônio do amor funciona, mas tenho certeza que ele era o culpado pelo desespero do meu corpo em sentir o calor do teu, pelo desespero da minha boca em encontrar a tua. 

Não falei que te amava, mas, pra mim, você já não era mais o mesmo. Eu já não era mais a mesma. E as noites de sempre no seu apartamento também não eram mais as mesmas. Sequer as borboletas eram mais as mesmas: não se acalmavam um segundo só na sua presença. 

Não sei dizer se descobri ou se passei a te amar no meio daquele olhar que você nem deve imaginar que tenha me causado todos os sentimentos e piripaques possíveis ao mesmo tempo, mas sei que depois daquele, toda vez que te fitei (ou toquei, ou abracei, ou beijei, ou...) o arrepio interno eletrizando cada partezinha minha foi o mesmo. 




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