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Amores de sexta-feira à noite



Esbarrei com as nossas fotos na minha galeria hoje enquanto procurava fotos do quadro e da matéria já acumulada da faculdade. Sabe, aquelas que tiramos bêbados no dia em que nos conhecemos e que eu quase nem me lembro do contexto, mas que todos os meus poucos amigos que viram não conseguiam acreditar em mim quando eu explicava que não, não estávamos apaixonados nelas. 

Deixa eu te confessar uma coisa aqui, bem baixinho: pra ser sincera, nem eu sei se não estávamos. Quer dizer, se eu não estava. Não vamos inventar sentimentos pra você quando eu não sei nem dos meus. Só sei que reparando bem no meu sorrisinho pra você nelas, não tenho nem cara pra discordar dos meus amigos naqueles comentários quase sarcásticos de "então quer dizer que existe mesmo essa história de paixão à primeira vista?". 

Não que tenha sido a primeira vista, já havíamos nos cruzado por aí antes, mas que eu acordei no dia seguinte sem conseguir parar de pensar em você enquanto repassava foto por foto da noite anterior tentando entender o que tinha acontecido comigo e querendo te ver de novo pra descobrir, ah, isso eu fiz sim. E fiz com um sorrisinho ainda mais bobo estampado no rosto. O que podemos combinar aqui, é um clássico sinal de paixão, ainda que eu não tenha certeza de nada. 

Mesmo sorrisinho que eu instantaneamente abri ao esbarrar com elas hoje pela manhã. Não que dessa vez eu soubesse o que estava sentindo, também. A nossa única constante sempre foi a inconstância, sempre foi o não saber nada, nem o que éramos, nem o que queríamos, nem sequer se queríamos. 

Não tive problema em excluir as mensagens depois que a nossa quase história desandou antes mesmo de ter um trilho por onde andar. Não tive problema em deixar pra lá quando já não sabia sequer o que pensar, se é que existiu algum momento em que eu soube. Você sempre foi um grande ponto de interrogação. Mas as fotos, essas fotos tão nossas, mesmo que a gente nem tenha chegado ao ponto de descobrir o que, de fato, era tão nosso, ah, pra elas eu estremeci com a possibilidade de apagar. 

Sempre fui uma grande defensora dos amores-de-esquina, amores-de-padaria, amores-de-sexta-feira-à-noite e de que a graça deles sempre esteve em chegar e partir sem avisos prévios, deixando só o gostinho gostoso de que algo bom que não precisa ser entendido tinha acontecido. Sempre foram os amores desavisados e não solicitados pelos quais eu me encantei. 

Você foi um desses amores-de-sexta-feira-à-noite. E eu sinto muito pra todas as páginas e mais páginas que eu já escrevi por aí discursando sobre a graça do fim, mas dessa vez o gostinho bom vai ser guardado junto com as fotos. Quebra de protocolo, eu sei, paciência. Talvez na próxima vez que encontrar elas perdidas pelo rolo da câmera o botão de apagar seja a única possibilidade. Até lá, fica esse "e se" no canto da boca por descobrir. 

No fundo eu sempre gostei da confusão do não saber o que sentir que esses acasos não explicados deixam por aqui. 


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