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Que venha o inverno


O inverno ano passado chegou mais rigoroso. Você foi embora logo depois que ele chegou.
Pra longe demais onde não poderia me abraçar, envolver os pés nos meus e passarmos o dia debaixo das cobertas.

Eu sempre odiei o frio, você achava graça, fechava todas as portas e me envolvia nos seus braços para me deixar longe de qualquer brisa fria.

Por muito tempo esperei mais frio, até houver um milagre e nevar. Talvez ajudasse a congelar o sentimento que ficou aqui. Achei que fosse morrer. Nosso fim foi quando menos esperei e imaginei. Acordei e tudo tinha acabado. É sempre assim. Eu acordei, abri os olhos e senti um vazio enorme.

E me toquei: Ele não está mais comigo. Não estamos mais juntos. Ele não é mais meu. Eu não sou mais dele. Se é que um dia já fomos. 
Esse foi meu primeiro pensamento naquela manhã congelante, primeiro dia sem você.
Senti sua falta o dia inteiro. Não sei se era o livro de romance que estava lendo, mas senti muita. Tão forte que achei que sentiu a minha também. Esperei o dia inteiro que me ligasse ou aparecesse para me buscar no serviço dizendo que era tudo mentira e que ia cumprir o cinema que me prometeu para aquela semana. Mas não teve ligação e você não apareceu. Você não iria vir me abraçar para tirar a tristeza em mim quando estivesse sentindo os dias difíceis, nunca mais. 

Os dias passaram, as estações passaram, eu passei, nossa história passou. Você me deixou. No frio, travada, congelada num tempo onde não existe mais eu e você. Mas lutei, luto, todos os dias para recuperar cada músculo e movimento do meu corpo, as batidas quentes do meu coração, para a dormência se esvair... E cada dia que passa, me acostumo com as portas que deixou escancaradas e abertas quando partiu, me assegurando que vai fazer calor, mesmo sem você aqui.

Que venha Junho, eu não vou fechar mais as entradas.



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