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Meu primeiro término foi fácil. A gente adiou tanto a decisão, talvez pelo medo de voltar a termos que lidar com ficarmos sozinhos, que quando acabou o sentimento já havia se esgotado fazia tempo. 

Meu segundo término também foi fácil. Acredito que nunca tenhamos chegado a de fato nos amar. Talvez por receios do que já tínhamos vivido antes, talvez por simplesmente não sermos um do outro, sei que ele acreditava nessas coisas. O fato é que apenas nos éramos confortáveis, até que deixamos de ser. E em consequência, deixamos de nos ver: fomos em busca de algo que nos fosse. 

E então teve você. Que eu achei de verdade que fosse, sabe? Que fosse aquilo que até então eu nunca tinha acreditado de pessoa certa na hora certa. Só que os nossos relógios não estavam em sincronia. O que era a hora certa pra mim não era a hora certa para você.

Você me arrebatou. Me tirou do chão. Me tirou daquela zona de segurança que eu nunca havia abandonado. Se relacionar com alguém não quer dizer se entregar e meus ex namorados que me perdoem, mas eu nunca tinha me entregado. Até você chegar. Até meu olhar cruzar com o seu e eu sentir que fazia parte do filme de amor mais clichê já produzido por Hollywood. 

Você foi o terceiro término. O que pela sequência lógica deveria ter sido o mais fácil. Deveria, mas não foi. Dizem que com o tempo e a experiência a gente aprende a lidar mais fácil com os sentimentos. A vê-los por uma ótica mais prática. A parar de dramatizar e procurar erros e culpados. Sempre achei que isso fazia todo o sentido do mundo. Até você. 

Porque no fim é isso: as coisas nos fazem sentido até deixar de fazerem. Comigo sempre aconteceu o caminho contrário, o caminho que todos diriam correto. Tudo fazia sentido até que o outro não fizesse mais sentido para com as minhas crenças. Mas você... você me virou de cabeça para baixo, me virou do avesso e desvirou. Questionei todas as crenças, tudo que até então me fazia sentido mas não fui capaz de questionar você. 

Fiz todas aquelas coisas que nunca tinha feito. Você foi uma grande caixinha de primeiras vezes para mim e infelizmente não só durante o tempo que estivemos juntos. Senti como nunca tinha sentido durante mas senti depois também. Remoí, chorei, dramatizei, procurei erros e culpados até me esgotar, até não aguentar mais. 

Depois de tantos anos passados da minha adolescência lidei com o terceiro término como se fosse o meu primeiro amor. E talvez fosse. Doeu mais do que eu poderia acreditar que um término era capaz de doer. Você me fez acreditar e experimentar todas as coisas que eu achava que não existiam. Que eram simples dramas de cinema. E demorou a passar. Se é que posso dizer que passou, que um dia vá passar. Demorou pra que eu pudesse sentar e escrever sobre terminar com você. Sobre encerrar nossa história. Sobre deixar ela pra trás, onde é o lugar dela. Mas essa é a última primeira vez que você ainda pôde me proporcionar: encerrar o drama de terminar. 

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